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sexta-feira, 3 de março de 2017

Devoção a São Torcato, Mártir


NOTAS BIOGRÁFICAS

Celebra-se a memória litúrgica de São Torcato no dia 27 de fevereiro de cada ano.
Segundo a tradição popular, São Torcato, oriundo da família nobre dos Torcartos Romanos, era natural de Toledo na Espanha.
Aí se evidenciou pelas suas virtudes, sendo escolhido para Arcipreste da Catedral de Toledo e, portanto, primeiro auxiliar do Bispo daquela cidade. Foi depois nomeado Bispo de Iria Flávia ou do Padrão, na Galiza.
Destacou-se pela firmeza da sua doutrina e pela sua sabedoria no 16.º Concílio de Toledo, no ano de 693, e aí teria sido nomeado Arcebispo de Braga, acumulando mais tarde as Dioceses do Porto e Dume. Foi notável o seu testemunho cristão pela coragem com que enfrentou o islamismo. Os muçulmanos invadiram a Península Hispânica no ano 711. Eles queriam ofuscar o Evangelho de Cristo com o Corão de Maomé e a Cruz de Jerusalém com o Crescente e tudo arrasavam para que o Islão se impusesse à Cristandade.
Segundo  tradição popular, São Torcato enfrentou Muça, chefe muçulmano, a 26 de fevereiro de 719, derramando o seu sangue por Cristo, em heróico martírio. No local, onde testemunhou a sua Fé, rebentou uma fonte de água cristalina, que ainda hoje se conserva e aí se construiu uma pequena ermida, conhecida por São Torcato-o-Velho e hoje chamada Capela da Fonte.
Mais tarde a preciosa relíquia do seu Corpo foi recolhida pelos monges do antigo Mosteiro de S. Torcato, doado por D. Afonso Henriques aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Foi trasladado para o Novo Mosteiro em 4 de julho de 1852.
Esta tradição popular constituía a 2.ª série de lições do Antigo Breviário Bracarense.
Os historiadores nem sempre concordaram com esta tradição e afirmam alguns que São Torcato teria sido o primeiro dos Varões Apostólicos, martirizado no século I em Cádis no sul de Espanha.
Em referências a estas dúvidas, são oportunas as palavras de José Leite S. J. "Seja como for, não há dúvida que são numerosas as graças por ele conseguidas e grande a devoção que o Povo lhe dedica".

Oração a S. Torcato 
do Antigo Breviário Bracarense

Nós te pedimos Senhor: Ouve com clemência as preces do teu Povo, para que sejamos ajudados pelos méritos do Bem-Aventurado São Torcato, Mártir e Pontífice, com cujo martírio nos alegramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

Com aprovação da Autoridade Eclesiástica

Braga, 20 de janeiro de 1994

cón. Eduardo Melo Peixoto
Vigário Geral


terça-feira, 29 de novembro de 2016

S. Domingos Sávio


A INFÂNCIA DE DOMINGOS

Em Riva de Chieri, Turim, Itália, a 2 de abril de 1842, nascia Domingos Sávio, duma família pobre de condição, mas rica de virtudes cristãs.
Logo no dia do seu nascimento, a suam alma se tornou templo do Espírito Santo pelo Batismo. E entre os numerosos irmãozinhos, Domingos foi crescendo afetuoso e obediente aos pais, distinguindo-se precocemente no amor à oração, ao estudo e ao apostolado.
Aos sete anos, graças à sua índole cheia de docilidade e à sua inteligência muito viva, foi admitido à Primeira Comunhão, o que representou uma exceção raríssima para aqueles tempos. São memoráveis os propósitos feitos pelo inocente menino naquele dia feliz, que bem podem servir de modelo a todos os neo-comungantes:

1º - Confessar-me-ei muitas vezes e comungarei todas as vezes que o confessor me autorizar.
2º - Quero santificar os domingos e festas de guarda.
3º - Os meus amigos serão Jesus e Maria.
4º - Antes a morte que o pecado.

Frequentou as primeiras escolas em Murialdo e Castelnuovo d'Asti, percorrendo diariamente vários quilómetros. O bom Deus dispôs que D. Bosco, ao encontrá-lo e falar com ele, compreendesse imediatamente as maravilhas que a graça de Deus operara em tão tenra idade, e levou Domingos Sávio para Turim, onde aquele menino de apenas 12 anos bem depressa se torna um modelo entre os seus afortunados companheiros do Colégio-Oratório de Valdocco.

"QUERO TORNAR-ME SANTO!"

Aquando da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição (8 de dezembro de 1854), Domingos renovou os propósitos de sua Primeira Comunhão e consagrou-se a Nossa Senhora, cuja devoção filial e terníssima lhe ardia na alma. Entregou-se então a uma vida tão edificante, que o próprio D. Bosco ficou admirado. 
Quero tornar-me santo! - era o seu lema e o seu empenho constante. 
D. Bosco traçou-lhe o caminho de virtudes a seguir: o dever bem cumprido - aceitação dos sacrifícios de cada dia, alegria constante - apostolado persistente e corajoso, para atrair os companheiros ao bem.
Em Jesus Eucarístico encontrou Domingos o seu maior Amigo e Confidente, chegando a ser visto em êxtase diante do Sacrário. 
Ajoelhado no altar de Nossa Senhora, rezava com fervor angélico, convidando os companheiros a acompanhá-lo. E igualmente fora do Colégio, ou pelas estradas de Turim, u na sua aldeia natal, manifestava o maior zelo para evitar as ofensas a Deus, atraindo os transviados e ensinando o Catecismo.
Em fevereiro de 1857, a sua frágil constituição forçou-o a suspender os estudos, para cuidar da saúde no meio da família. Mas Domingos sentia que o fim se aproximava e falava dele com serenidade.
Volvido pouco tempo, Domingos oferecia a Deus a sua vida. 
Em 9 de março de 1857, à tarde, apoiado nos travesseiros, com o rosto a abrir-se num sorriso, diante do pai espantado e comovido, exclamou: "Que bela coisa eu vejo!" E fixo na doce visão que lhe arrebatava a alma, voltava para Deus.

Em 9 de julho de 1933, Pio XI declarou-o herói no exercício das virtudes cristãs. Pio XII, no Ano Santo de 1950, proclamava-o Bem.aventurado, e quatro anos depois, no Ano Mariano, elevava-o aos esplendores dos Santos, com a canonização. Os seus restos mortais encontram-se em Turim, na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora.
O exemplo deste estudante - "Pequeno, mas grande gigante do espírito" (Pio XI) - é um poderoso convite a todos os jovens para o seguirem no seu rasto luminosos de pureza e apostolado.

ORAÇÃO A S. DOMINGOS SÁVIO

Ó S. Domingos Sávio, que, na vossa vida de adolescente, fostes um admirável exemplo de virtudes cristãs, ensinai-nos a amar a Jesus com o vosso fervor, a Virgem Imaculada com a vossa pureza, as almas com o vosso zelo, e concedei-nos que, seguindo-vos no propósito de nos tornarmos santos, saibamos como vós preferir a morte ao pecado, para podermos um dia reunir-nos na eterna felicidade do Céu. Assim seja.

(Com aprovação eclesiástica)

(Edição da pagela: CAVALEIRO DA IMACULADA)